Alunos de dança e artes cênicas denunciam sucateamento e falta de professores na Unicamp

  • 14/06/2026
(Foto: Reprodução)
Manifestantes cobram contratações, reajuste salarial e benefícios Johnny Inselsperger/EPTV Alunos dos cursos de dança e artes cênicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) denunciam falta de professores, estrutura precária e orçamento insuficiente. Segundo os estudantes, as aulas ocorrem em espaços improvisados, enquanto obras destinadas aos cursos seguem paradas há décadas. A reitoria reconhece as demandas e promete iniciar a reforma de pavilhões do Instituto de Artes no fim de junho (leia mais abaixo). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Segundo uma aluna do quinto semestre de Dança que não quer se identificar, o curso, criado há 41 anos, nunca teve um prédio próprio. Atualmente, as atividades acontecem no "Paviartes", um galpão que anteriormente funcionava como depósito do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW). A estudante afirma que a obra do prédio começou em 2011, mas foi interrompida em 2015 após a falência de uma das empresas responsáveis e a identificação de problemas estruturais. "Um deles era que tem um lençol freático embaixo da construção, e o outro é que tinha uma pilastra que tinha que ter seis centímetros, e eles colocaram 11. Dentro disso foram feitas adaptações e hoje já tem análise de engenheiros [dizendo] que o prédio não cai", explicou. Ela afirma que o problema relacionado à água foi resolvido em 2022. No entanto, as obras complementares do teatro ainda não foram concluídas, o que impede a ocupação dos espaços pelos alunos. O espaço era formado por dois barracões, os pavilhões 1 e 2. Em 2019, o pavilhão 2 foi demolido com a promessa de que um novo prédio seria construído no local. "Nós precisamos de salas específicas com chão específico para não ter lesão. Então, muitas vezes não é escutado isso e não se vê as coisas mínimas que precisam, os detalhes mínimos que precisam para um curso de dança, assim como curso de cênicas também", desabafa. Agora no g1 Obras inacabadas A situação também afeta o curso de artes cênicas. O Teatro Laboratório, cuja obra começou há mais de 25 anos, permanece inacabado. Um estudante do quinto semestre que também preferiu não ser identificado relata que as aulas práticas ocorrem em salas improvisadas e aponta riscos à segurança, incluindo acidentes e a presença de escorpiões. "Quando eu digo galpão, não é uma forma de dizer sensacionalista; de fato, é um galpão em que a gente tem aula, são salas dentro de um grande galpão com uma estrutura extremamente precária, muito longe do ideal do que a gente deveria ter", comenta. O estudante relata ainda que as aulas são realizadas em diferentes espaços da universidade, como prédios das engenharias, o Ciclo Básico e a Casa do Lago. Segundo ele, nenhum desses locais atende às necessidades dos cursos. Obra do Teatro do Instituto de Artes da Unicamp Johnny Inselsperger/EPTV Falta de apoio e orçamento Uma reclamação recorrente nos dois cursos é a falta de apoio institucional e de recursos para as atividades acadêmicas. A estudante de dança afirma que o curso funcionava em duas modalidades: bacharelado e licenciatura. Segundo ela, a aposentadoria de docentes sem reposição das vagas levou à redução da oferta de disciplinas, incluindo o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da licenciatura. "O pessoal no quarto ano faz bacharel e no quinto faz licenciatura, o TCC, né? E aí tem uma questão que a gente também está denunciando, que é, pela falta de professores, o currículo do ano que vem, ou seja, quem entra a partir do ano que vem, não tem mais o TCC de licenciatura", diz. Segundo ela, um documento do Conselho Estadual de Educação aponta que uma análise realizada em 2023 indicou a necessidade de 16 docentes para atender os dois cursos simultaneamente. Atualmente, existem 11 professores, enquanto os estudantes reivindicam 18 vagas. "Isso vem de uma política da própria faculdade, que a gente não tem reposição automática dos professores quando eles se aposentam. O que acontece é essa vaga que era da dança vai para o campo geral.e ela passa por uma disputa entre as unidades, para ver qual unidade precisa mais. Se essa vaga volta para o IA, acontece ainda que o IA tem cinco cursos que precisam muito de vagas também, então tem uma disputa interna dentro, para ver para onde essa vaga vai", explica. Já o estudante de artes cênicas afirma que os alunos não recebem recursos para financiar pesquisas e produções artísticas desenvolvidas durante a graduação. Segundo ele, a disciplina "Processos Integrados de Criação Cênica" exige a realização de pesquisas e produções artísticas, incluindo espetáculos desenvolvidos pelos estudantes ao longo do curso. "E o que acontec? A Unicamp não dá nenhum tipo de orçamento e diz que não tem nenhum tipo de orçamento para o curso de artes cênicas poder produzir essa pesquisa", explica. O estudante relata que, como a atividade é obrigatória para a formação, os próprios alunos precisam arrecadar recursos para viabilizar os projetos. "Isso é feito de diversas formas, mas principalmente por festas. Os alunos fazem festas, vendem ingressos, basicamente vendem a sua força de trabalho para conseguir se formar. Porque se a gente não faz essas festas, não faz vaquinha, não busca encontrar formas de conseguir dinheiro para os nossos processos de pesquisa, a gente não consegue se formar", diz. Imagem aérea do campus da Unicamp em Campinas Reprodução/EPTV Sobrecarga dos docentes O estudante afirma que os professores acumulam disciplinas para manter o funcionamento do curso. Ele também destaca que a criação da licenciatura em artes cênicas é reivindicada há mais de sete anos. "Então, é uma conta muito simples de se fazer. Se, a cada ano, um professor se aposenta — e muito em breve, em uma previsão de cinco anos —, os cursos vão começar a acabar. Tanto o curso de dança quanto o de artes cênicas e o de música vão, aos poucos, fechando, e assim o Instituto de Artes vai deixando de existir", afirma. Segundo o estudante, a universidade não autorizou novas contratações e evitou discutir o tema durante as negociações da greve. Ele afirma ainda que parte das vagas de contratação foi destinada à criação do curso de Inteligência Artificial. "E por isso que a gente brinca e fala que a IA, a Inteligência Artificial, passou na frente do IA, o Instituto de Artes", diz. O que dizem as instituições? Os estudantes afirmam que participaram de cerca de seis mesas de negociação com a reitoria e apresentaram uma carta com mais de 60 reivindicações. Segundo eles, a contratação de professores não avançou nas discussões. A principal promessa foi a criação de uma comissão para acompanhar cursos considerados em situação crítica. Em nota, a Unicamp informou que reconhece a legitimidade das demandas e assumiu compromissos para melhorar a permanência estudantil e a formação acadêmica. Entre as medidas anunciadas estão: Criação de grupos de trabalho para discutir bolsas e investimentos de até R$ 20 milhões em moradia estudantil no campus de Limeira; Contratação de sete psicólogos e assistentes sociais para ampliar o atendimento aos alunos; Criação de comissões para acompanhar políticas de acessibilidade, diversidade e obras em andamento. O representante da reitoria, Roberto Donato, afirmou que as demandas específicas das unidades continuarão sendo debatidas. No caso do Instituto de Artes (IA), ele informou que a reconstrução do Paviartes está em andamento e que as obras devem começar em 20 de junho. Questionado sobre a avaliação dos cursos, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) informou que a regulação das universidades estaduais é responsabilidade dos governos estaduais, conforme regra confirmada pelo Ministério da Educação (MEC). O Inep informou ainda que o Conceito Preliminar de Curso (CPC) não se aplica a essas graduações. A partir de 2026, as licenciaturas em dança e teatro da Unicamp passarão a ser avaliadas pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). *Estagiária sob supervisão de Gabriella Ramos. Agora no g1 VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/educacao/noticia/2026/06/14/alunos-de-danca-e-artes-cenicas-denunciam-sucateamento-e-falta-de-professores-na-unicamp.ghtml


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