Banco Master: PF investiga aplicação irregular de R$ 107 milhões da previdência em Cajamar
13/05/2026
(Foto: Reprodução) Banco Master: PF investiga aplicação irregular de R$ 107 milhões da previdência em Cajamar
A Polícia Federal de Campinas (SP) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (13), uma operação para investigar a suspeita de gestão temerária na aplicação de R$ 107 milhões do instituto de previdência dos servidores públicos de Cajamar (SP).
A apuração mira possíveis irregularidades em investimentos de alto risco no Banco Master, sem análise técnica adequada, com falhas de governança, ausência de estudos de risco e possível favorecimento a emissores específicos.
Policiais federais cumprem seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Cajamar (SP), Boituva (SP) e São Paulo (SP).
Os alvos são gestores do fundo de previdência de Cajamar que participaram do processo decisório que autorizou as aplicações financeiras consideradas irregulares e temerárias.
A 9ª Vara Criminal Federal também determinou o afastamento de servidores das funções públicas e bloqueio de bens dos investigados.
Investigação
Segundo a PF, a investigação começou a partir de informações sobre irregularidades na aplicação de aproximadamente R$ 107 milhões em quatro Letras Financeiras emitidas por dois bancos privados.
Entre agosto de 2023 e março de 2024, o Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC) realizou quatro aplicações em Letras Financeiras, totalizando aproximadamente R$ 107 milhões — cerca de 19,56% do patrimônio líquido do regime próprio de previdência do município.
Os aportes foram direcionados ao Banco Daycoval, que recebeu R$ 20 milhões, e ao Banco Master, que recebeu R$ 87 milhões em três operações distintas. As aplicações tinham vencimentos de longo prazo, entre oito e 10 anos, e taxas indexadas ao IPCA.
A corporação informou que o nome da operação, “Off-Balance”, se refere ao desequilíbrio entre a gestão prudente dos recursos da previdência e a adoção de riscos inadequados para a segurança de um fundo previdenciário.
A PF informou ainda que, apesar de envolver as mesmas instituições financeiras e ter semelhanças no modo de operação, a ofensiva desta quarta-feira não é um desdobramento da operação realizada há duas semanas em Santo Antônio de Posse (SP). As duas investigações tramitaram em paralelo.
Banco Master: PF investiga aplicação irregular de R$ 107 milhões da previdência em Cajamar
Polícia Federal/Divulgação
MP alertou risco de perda
A Procuradoria do Ministério Público de Contas de São Paulo (MPC-SP) alertou, em abril do ano passado, que pelo menos cinco institutos de previdência de servidores municipais no estado haviam investido centenas de milhões de reais no Banco Master — entre eles, o de Cajamar.
A crise do Banco Master levou à liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central e à prisão do dono, Daniel Vorcaro. A Polícia Federal investiga suspeitas de fraude financeira, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o grupo.
Nos últimos anos, o banco passou a oferecer CDBs com juros muito acima do mercado para atrair investidores e levantar recursos rapidamente. Segundo especialistas e investigadores, a instituição enfrentava dificuldades financeiras e dependia de novas captações para manter as operações.
As investigações apontam ainda o uso de ativos de baixa qualidade e supostas carteiras de crédito falsas para transmitir uma aparência de solidez financeira. Tentativas de venda do banco fracassaram após questionamentos sobre transparência e riscos da operação.
O caso também expôs os limites do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que deverá desembolsar cerca de R$ 51 bilhões para ressarcir clientes das instituições do grupo.
O que dizem os citados
Banco Daycoval
"O Banco Daycoval esclarece que a aquisição das Letras Financeiras mencionadas na investigação ocorreu no mercado secundário, sem nenhuma participação do banco. O banco reforça ainda que atuou exclusivamente como emissor dos títulos, negociando seus títulos com agentes do mercado financeiro, dentro das condições regulares de mercado, não tendo conhecimento das condições em que foram negociados com terceiros. Reitera que todas as suas operações seguem rigorosamente os mais elevados padrões de compliance, governança e boas práticas do sistema financeiro, em conformidade com a regulamentação vigente".
VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região
Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas