Em greve, estudantes da Unicamp ocupam prédio administrativo; reitoria diz que ato prejudica serviços essenciais
09/06/2026
(Foto: Reprodução) Imagem aérea do campus da Unicamp em Campinas
Reprodução/EPTV
Estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ocuparam o prédio da Diretoria Geral da Administração (DGA) na noite desta segunda-feira (8). Em greve geral desde 18 de maio, eles afirmam que as propostas apresentadas pela reitoria na última mesa de negociação deixou de fora pontos centrais de suas demandas.
A instituição disse em nota que lamenta a ocupação, afirmando que "atos reivindicatórios não devem obstruir o direito de ir e vir", e que a interrupção das atividades na DGA "prejudica o andamento de serviços essenciais, como o abastecimento da área da saúde, a liberação de salários, de bolsas e de auxílios estudantis" (veja a nota completa abaixo).
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp
Estudantes alegam pressão para encerrar a greve
Em uma publicação nas redes sociais nesta terça-feira (6), o Diretório Central Estudantil (DCE) informou que os alunos se reuniram em uma assembleia geral na segunda para discutir e tomar deliberações sobre a proposta e as condições apresentadas pela Unicamp (relembre abaixo o que foi apresentado pela reitoria e quais as demandas dos estudantes).
Eles afirmam que "a Reitoria tomou uma postura intransigente, mandando e-mails que tentavam chantagear a mobilização estudantil, visando impor o fim da greve, sem uma nova mesa de negociação e sem formalização de documento assinado com as propostas anteriormente negociadas, como forma de garantia das vitórias já conquistadas".
O DCE disse ainda que, em resposta, o movimento estudantil decidiu por ocupar a DGA, órgão responsável pelas principais decisões político-administrativas da universidade, para, segundo eles, "deixar claro que não aceitamos ameaças, tampouco aceitaremos o encerramento das negociações de maneira unilateral".
LEIA TAMBÉM:
Seis pessoas são presas após tentarem invadir prédio da USP
Alunos da USP aprovam fim da greve estudantil após 54 dias de paralisação
O que a Unicamp diz sobre a ocupação
Em nota, a Reitoria informou que lamenta a ocupação do prédio da Diretoria Geral da Administração (DGA) ocorrida na noite de segunda-feira, ressaltando que atos reivindicatórios não devem obstruir o direito de ir e vir nem impedir o livre acesso dos servidores às suas atividades profissionais.
“A Reitoria reitera que mantém um canal aberto, permanente e transparente de diálogo com os diferentes segmentos da comunidade universitária, o que inclui estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos. A escuta ativa e a negociação coletiva são os únicos caminhos legítimos para a construção de soluções institucionais. Ações de força vão contra os princípios democráticos, o respeito mútuo e a busca pelo entendimento que devem pautar a vida acadêmica”.
“A interrupção das atividades na DGA prejudica o andamento de serviços essenciais, como o abastecimento da área da saúde, a liberação de salários, de bolsas e de auxílios estudantis, o processamento de pagamentos, de compras e de contratos regulamentares, o funcionamento dos restaurantes universitários e a importação de insumos para pesquisa científica. Esse tipo de ato penaliza toda a comunidade e compromete o funcionamento da própria Universidade”.
Por fim, disse ainda que “a Reitoria reafirma sua total disposição para dar continuidade às mesas de debate e negociação. Contudo, reforça que o avanço nas tratativas pressupõe a preservação da normalidade das atividades e a garantia da integridade dos espaços públicos”.
O que propõe a Unicamp?
Trabalhadores bloqueiam entrada do campus da Unicamp para manifestação
A reitoria da Unicamp apresentou uma lista de compromissos ao movimento estudantil após uma mesa de negociação realizada na terça-feira (2). As propostas foram apresentadas 25 dias após o início das paralisações dos cursos do campus de Campinas (SP).
Entre as propostas, estão:
Permanência e Moradia Estudantil:
Investimentos em moradia estudantil nos campi de Campinas e Limeira;
Constituição de grupo de trabalho para discutir alternativas de moradia estudantil em Limeira;
Aperfeiçoamento das discussões relativas às bolsas e aos auxílios de permanência.
Mobilidade, Infraestrutura e Convivência:
Ações voltadas ao aprimoramento do transporte estudantil e da mobilidade entre campi;
Ampliação e qualificação de espaços destinados à convivência, representação estudantil e atividades comunitárias;
Continuidade dos investimentos em infraestrutura e acessibilidade.
Acolhimento, Inclusão e Apoio Estudantil:
Ampliação das equipes de apoio psicossocial;
Reforço das estruturas de acolhimento, enfrentamento às violências e promoção da inclusão;
Instituição de mecanismos de acompanhamento voltados às políticas de diversidade, acessibilidade e permanência.
Programas e Participação Estudantil:
Constituição de grupos de trabalho para o aperfeiçoamento dos programas ProFIS e ProFIIVI;
Avanço das discussões relacionadas à representação estudantil e ao acompanhamento das políticas de permanência.
"Os compromissos assumidos foram definidos a partir de cuidadosa avaliação de sua viabilidade acadêmica, administrativa e orçamentária, buscando assegurar que possam ser efetivamente implementados e sustentados ao longo do tempo", afirmou a Unicamp.
Quais as principais reinvindicações dos estudantes?
O movimento estudantil afirma que a greve busca "dignidade para morar, estudar e trabalhar". Entre as principais reinvindicações, estão:
bolsas e ações para garantir permanência;
melhorias no transporte dentro e entre os campi;
acesso a serviços de saúde especializada e mental;
implantação do Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVES) em Limeira (já existente em Campinas);
espaço físico para centros acadêmicos e diretórios
fim da terceirização de serviços;
contra a autarquização do Hospital de Clínicas.
Segundo o DCE, a greve só termina após resposta direta da Unicamp sobre as oito pautas, com prioridade para a moradia estudantil e políticas de permanência.
Estopim da greve
A greve foi motivada pela falta de resposta às reivindicações na reunião do Conselho de Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), realizada no dia 4 de maio.
🔎 O Cruesp é formado pelos reitores da Universidade de São Paulo (USP), da Unicamp e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), além dos secretários de Desenvolvimento Econômico e da Educação. Atualmente, o conselho é presidido por Paulo Cesar Montagner, reitor da Unicamp.
"A pauta estudantil não foi colocada na mesa de negociação na última sessão do Cruesp dessa última segunda-feira. Percebemos que a pauta estudantil estava sendo colocada de lado [...] percebemos, então, a necessidade de fazer uma movimentação um pouco maior", afirmou Víctor Guglielmoni, o representante do Diretório Acadêmico de Limeira.
📅 O movimento de greve começou de forma escalonada. O campus de Limeira (SP) entrou em greve ainda no dia 5 de maio, enquanto cursos de Campinas passaram a aderir a partir do dia 8. A greve geral da universidade foi aprovada posteriormente, em 18 de maio.
➡ De acordo com o Diretório Central dos Estudantes (DCE), todos os cursos aderiram ao movimento com exceção da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (SP). Na última quarta-feira (3), outros dois cursos deixaram a greve, mas o DCE não informou quais.
VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região
Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.